Nasceu
em Alhandra, a 7 de Março de 1843 (embora na certidão
de baptismo conste a data de 7 de Fevereiro, devido a um engano
do funcionário de registo). Era filho de Caetano Martins,
carpinteiro, e de Maria das Dores de Sousa Martins, doméstica,
ambos de Alhandra. Sousa Martins permaneceu solteiro até
à morte e, que se saiba, não deixou filhos. Teve
duas irmãs, uma das quais enfermeira, a qual o acompanhou
mais de perto.
Aos 12 anos, tendo ficado órfão de pai aos 7, entrou
como praticante para a farmácia de seu tio Lázaro
Joaquim de Sousa Pereira - a Farmácia Ultramarina -, farmácia
ainda hoje existente na Rua de S. Paulo, em Lisboa. Frequentou
o Liceu Nacional de Lisboa e a secção de Ciências
Naturais da Escola Politécnica. De manhã nas aulas,
à tarde na farmácia e à noite dando explicações,
assim completou Sousa Martins o seu curso de farmacêutico,
em 1864, com as melhores classificações e os primeiros
prémios. Mas já em 1861 se havia matriculado na
Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, conseguindo sempre
as mais elevadas classificações. |
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Concluiu o curso de Medicina em 1866, com apenas 23 anos, tendo
defendido a tese O Pneumogástrico Preside à Tonicidade
da Fibra Muscular do Coração, que, pelo seu impacte,
originalidade e valor, viria a ser publicada e a constituir uma
obra de referência.
Em 1868 foi nomeado, por concurso (Decreto de 27 de Agosto), demonstrador
da secção médica da Escola de Lisboa e nesse
mesmo ano foi eleito sócio da Sociedade de Ciências
Médicas. |
Em
1872 foi designado lente da Escola Médico-Cirúrgica
de Lisboa e, dois anos mais tarde, médico extraordinário
do Hospital de S. José e anexos. Em 1874 viria a ser nomeado
delegado de Portugal na Conferência Sanitária Internacional
de Viena, por Decreto de 26 de Maio.
De 1873 a 1876 desempenhou o cargo de secretário e bibliotecário
da Escola Médico-Cirúrgica, cargo que abandonou
por ter assegurado a cátedra de Patologia Geral, Semiologia
e História da Medicina (criada por carta de lei de 10 de
Maio de 1876). Em 1881 presidiu à comissão executiva
e à secção de medicina da expedição
científica à serra da Estrela e em 1883 foi nomeado
director efectivo da Enfermaria de S. Miguel, do Hospital de S.
José, enfermaria que hoje tem o seu nome. |
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Em
1897 foi delegado à Conferência Sanitária
Internacional de Veneza, onde foi eleito para a vice-presidência.
Regressou a Portugal com a saúde bastante debilitada e
com poucos meses de vida, não obstante ter ainda procurado
melhoras no Sanatório da Serra da Estrela, que ele próprio
ajudara a criar.
Desempenhou muitas e variadas comissões de serviço
público, entre as quais avultam: secretário e relator
da comissão encarregada de redigir a Farmacopeia Portuguesa,
obra notabilíssima para a época e publicada em 1886;
secretário e relator da comissão revisora do regulamento
quarentário de 1860; membro da comissão sanitária
encarregada de propor os necessários melhoramentos no Lazareto
de Lisboa; membro da comissão sanitária encarregada
de propor as medidas a tomar no caso de proliferamento, em Lisboa,
da cólera asiática; membro da comissão encarregada
pela administração do Hospital de S. José
de reorganizar o Formulário de Medicamentos. |
Foi ainda membro de múltiplas organizações, nacionais
e internacionais, integrando várias comissões na Sociedade
de Geografia de Lsboa; na Sociedade Farmacêutica Lusitana, da qual
foi sócio honorário e benemérito; e na Sociedade
de Ciências Médicas de Lisboa, da qual foi membro titular.
Foi também sócio correspondente da Academia Real das Ciências
de Lisboa, do Instituto de Coimbra, da Academia Real de Medicina da Bélgica,
da Real Academia de Medicina de Madrid, Sociedade Antropológica
Espanhola, da Sociedade Ginecológica Espanhola, da Academia Nacional
de Medicina e Cirurgia de Cadiz, da Academia Provincial de Ciências
Médicas de Badajoz, da Sociedade Real de Medicina Pública
do Luxemburgo, da Sociedade de Médicas também do Luxemburgo,
da Sociedade Real de Medicina Pública da Bélgica, do Instituto
Vasco da Gama, de Nova Goa e da Sociedade Francesa de Higiene.
Foi sócio fundador da Associação dos Jornalistas
e Escritores Portugueses; integrou a comissão executiva da Subscrição
Nacional aquando do Ultimatum de 1890, tendo dele partido a proposta do
nome de Adamastor para o navio adquirido por tal subscrição;
contribuiu para a fundação do actual Instituto Bacteriológico
de Câmara Pestana; foi Comendador da Ordem de Sant'Iago e da Ordem
do Salvador, da Gréda.
Colaborou na Gazeta Médica de Lisboa, no Jornal da Sociedade Farmacêutica
Lusitana, no Jornal da Sociedade das Ciências Médicas de
Lisboa, na Revista Médica Portuguesa, na Revista Ocidental, na
Medicina Contemporânea, no Diário ilustrado e na Enciclopédia
Popular, tendo deixado uma vasta e notável bibliografia no campo
da medicina.
Conhecido pela sua bondade e pelo seu enorme prestígio como médico,
cientista e professor, José Thomaz de Sousa Martins é hoje
tido como um "homem de ideias avançadas para a época
em que viveu" e, simultaneamente, um "guia espiritual"
a quem numerosos devotos solicitam a concessão dos mais diversos
milagres e curas.
Faleceu em Alhandra, com 54 anos de idade, a 18 de Agosto de 1897, vítima
de tuberculose pulmonar.
Ao tomar conhecimento da sua morte, o rei D. Carlos exclamou emocionado:
"Apagou-se a mais brilhante luz do meu reinado". Para Egas Moniz,
prémio nobel português, Sousa Martins foi um "notável
professor que deixou, atrás de si, um nome aureolado de prelector
admirável, de clínico, de orador consagrado, sempre alerta
nas justas da Sociedade das Ciências Médicas". Os alunos
de Sousa Martins veneravam-no e as suas lições, coligidas
por antigos estudantes, eram ainda referência obrigatória
depois da sua morte. Ensinava com entusiasmo, sem artifícios. Deleitava
os alunos, captando-lhes a atenção, a estima e a admiração.
O seu ensino era, para os discípulos, uma espécie de bússola
que, como nenhuma outra, os orientava na ciência da vida. Diziam
que das aulas de Sousa Martins não se saía apenas com o
índice de capítulos que cada um teria que ler, entender
e reter, à custa de muitas horas de trabalho. Saía-se ensinado.
E, em Sousa Martins tinham não apenas um professor, mas também
um amigo.
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